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O que muda para você produtor com a saída da ABIOVE da moratória da soja

A comunicação oficial da saída da ABIOVE da moratória da soja marca uma mudança relevante no cenário do agronegócio brasileiro, especialmente para os produtores de Mato Grosso. Durante anos, a moratória impôs critérios ambientais privados que iam além do que determina a legislação ambiental brasileira, criando restrições comerciais mesmo para produtores que estavam regulares perante a lei. Com essa decisão, o parâmetro que passa a valer para as exigências ambientais deixa de ser um acordo setorial e volta a ser, exclusivamente, a legislação nacional. Na prática, isso significa que as grandes tradings compradoras de soja e milho passam a adotar como referência o que está previsto no Código Florestal Brasileiro. Não se trata de redução de exigências ambientais, mas de alinhamento às regras oficiais do país. A lei brasileira já é rigorosa e estabelece critérios claros sobre áreas de preservação permanente, reserva legal, uso do solo e regularidade ambiental das propriedades rurais. O que muda é que deixam de existir regras adicionais, paralelas à lei, que vinham gerando insegurança jurídica e prejuízos comerciais a muitos produtores. Em Mato Grosso, essa mudança tem impacto direto sobre a realidade do campo. Muitos produtores enfrentavam restrições de venda ou questionamentos comerciais mesmo com CAR regular, áreas preservadas e ausência de desmatamento ilegal. Com a saída da moratória, a tendência é que essas distorções sejam corrigidas, desde que a propriedade esteja, de fato, em conformidade com a legislação ambiental vigente. A regra passa a ser objetiva: quem cumpre a lei brasileira atende às exigências ambientais para comercialização. Ao mesmo tempo, é importante deixar claro que essa mudança não representa flexibilização ou descuido ambiental. A fiscalização continua existindo e, em muitos casos, está cada vez mais integrada, utilizando cruzamento de dados, imagens de satélite e informações do Cadastro Ambiental Rural. O produtor continua sendo responsável por comprovar que sua fazenda está regular, com APPs respeitadas, reserva legal adequada e uso do solo conforme a lei. A diferença é que não haverá mais exigências acima do que o ordenamento jurídico brasileiro determina. Diante desse novo cenário, o papel da regularização ambiental se torna ainda mais estratégico. Estar em dia com o CAR, ter clareza sobre os limites das áreas protegidas, manter a documentação organizada e compreender como a legislação se aplica à realidade da fazenda são fatores que garantem segurança jurídica e previsibilidade para produzir e comercializar. A saída da moratória reforça uma mensagem importante: não é cumprir menos, é cumprir corretamente o que a lei exige, nada além e nada aquém. Para o produtor, o momento é de atenção e organização. Quem aproveita esse contexto para revisar seus processos, ajustar eventuais pendências e buscar orientação técnica sai na frente. Regularização ambiental deixa de ser apenas uma obrigação e se consolida como proteção do patrimônio, acesso ao mercado e tranquilidade para seguir produzindo. Entender a lei e aplicá-la corretamente é o caminho para transformar essa mudança em segurança e vantagem no campo.